Você já parou para pensar no quanto a pequena frase de Leonardo Boff poderia fazer a diferença se você a levasse em conta enquanto “ouve” alguém?
O ponto de vista, ou melhor, o lugar de onde se avista (se avalia e se entende algo) é resultado do caminho particular de cada um de nós.
Por conta disso, atribuímos valores diferentes para as questões, bem como não atribuímos valor às coisas que já foram importantes um dia.
Penso que o lugar de onde eu “avisto” é na verdade o que eu sou, o que acredito, e, sobretudo, o quanto estou disposta a refletir sobre aquilo (ou aquele) que não sou eu.
Então vamos lá, todo mundo calmo, respeitoso e “zero preconceito” para com o seu interlocutor. Será? E o que a gente faz com a nossa “falta de humildade/arrogância” e com a nossa pressa?
De forma bem sucinta, a “falta de humildade/arrogância” frequentemente resulta na desconexão com a realidade do mundo (estamos presos apenas em nós mesmos), na dificuldade em aprender com os outros e, claro, no grau que atingimos de autoconhecimento/ autodesenvolvimento. Preciso aqui fazer um parêntese para comentar que essa atividade de estar em classe tem me ensinado demais, afinal, nesse papel a postura de escutar é (ou deveria ser) inegociável.
Voltando ao tema do “zero preconceito”, como diria Nelson, “preconceito é uma construção social” (Handbook of Prejudice, Stereotyping and Discrimination, Psychology Press, New York and London, 2016).
Apoiados em preconceitos, organizamos melhor o mundo e isso é “ótimo” porque faz com que não seja preciso pensar muito, ou melhor, não é preciso escutar muito o outro, afinal atribuiremos a ele/ela/eles/elas nossas crenças antes mesmo de que possam se expressar.
Confuso? Explico. Com base em nossas crenças, que são “construções sociais”, acreditamos que Sicrano pensa assim porque é velho, Fulana acredita nisso porque é muito jovem, Beltranos enxergam assim porque sempre tiveram (ou nunca tiveram) conforto na vida, e por aí vai.
Da mesma forma, também para organizarmos o mundo, determinado grupo pode ser visto como superior por qualquer construção social que adotamos. Não é incomum que a gente, na maioria das vezes, faça parte desse outro grupo.
Nos livros sobre comunicação assertiva, é unanime a ideia de que só se comunica bem quem está disposto a ouvir de verdade, ou como diria Rubem Alves, quem está disposto a praticar a “escutatória”. Um bom “escutador” se esforça para entender o porquê daquela visão diferente da dele e não simplesmente a rebate porque é errada do seu ponto de vista.
No caminho para entender o “escutador” faz perguntas interessadas, construtivas e sinceras, afinal o objetivo da comunicação assertiva é construir pontes entre os interlocutores e isso não deveria ser feito “dinamitando” os muros que separam diferentes pontos de vista com rajadas de oratória. Essa outra forma de comunicação nós chamamos de “agressiva” e não de assertiva.
Levando em conta essa pequena introdução ao tema Comunicação Assertiva, dá para antever que se comunicar com assertividade pode ser algo complexo e difícil, mas muito necessário, seja no pessoal ou no profissional. Tanto que essa é a competência mais desejada pelas empresas em 2023 segundo pesquisa da Robert Half em parceria com a School of Live publicada na matéria “Como aperfeiçoar a comunicação, principal competência de 2023” (Valor Econômico de 31/01/22). Se você chegou até aqui eu te agradeço e espero que acompanhe a página para ler a parte 2/2 que vai abordar aspectos de comunicação que são estudados e refletidos no workshop e na palestra deste tema na consultoria Reflexão e Desenvolvimento.