Pilar geracional. Será que é isso mesmo que a sua empresa precisa?

Patrícia Santos – 04/01/2022

Para escrever a minha dissertação de mestrado conversei por mais de 9 horas com 11 gestores seniores de RH de grandes organizações líderes em seus mercados.

Com este trabalho de pesquisa pude fazer reflexões importantes que desejo compartilhar com você aqui no LinkedIn a partir de agora.

Gostaria de começar escrevendo sobre a percepção negativa dos gestores de RH de que trabalhadores 50+ poderiam ser pessoas acomodadas e resistentes à mudança. Não foi propriamente isso que me chamou a atenção, mas sim que tal acomodação e a resistência ao novo estivessem diretamente relacionadas à percepção de que profissionais 50+ não investissem em aprendizagem ao longo da vida (#lifelonglearning) e que, por isso, estariam inaptos a se manterem no mercado de trabalho que desafia profissionais de qualquer idade a lidarem com mudanças vindas de todos os lados (tecnologia, novas formas de trabalho, cultura da diversidade e assim por diante).

Esta percepção negativa deveria ser neutralizada quando os trabalhadores 50+ se tornam “novos universitários” e assim apresentam uma evidência incontestável aos gestores de que não estão na verdade acomodados, mas sim prontos e dispostos a novos aprendizados.

Existem alguns poucos programas de contratação de trabalhadores mais velhos pensados para esses “novos universitários” de pouco mais de 50 anos de idade. Nas empresas que têm esses programas, os gestores se mostram verdadeiramente surpresos com os resultados porque eles são muito mais positivos do que o previsto.

O que poderia explicar esse resultado tão positivo? Vejamos. Os trabalhadores 50+ apresentam grande capacidade de aprendizado; são tidos como profissionais que valorizam as “oportunidades” de trabalho, afinal não tem à sua disposição outras oportunidades justamente por conta do preconceito etário; e ainda, têm o bônus da inteligência emocional mais desenvolvida, graças à sua maturidade e, claro, à sua idade.

Se por um lado temos conclusões, reflexões e achados, que são fruto de pesquisa, por outro lado, temos frases de propagada midiática de culto à juventude que se enraizaram na nossa cultura e habitam o inconsciente coletivo, nos guiando, muitas vezes, para escolhas não tão coerentes com a realidade dos resultados positivos dos programas de contratação de trabalhadores mais velhos.

A minha intenção não é, neste momento, falar do culto à juventude, mas sim chamar a sua atenção para os resultados positivos desses programas e para a riqueza de possibilidades quando uma empresa desenvolve uma cultura organizacional que abriga o multigeracional, e assim, cuida para que seus times sejam formados por diferentes gerações.

Para não me alongar muito já vou concluindo, mas não sem te lembrar dois pontos muito relevantes. O primeiro é que o mercado consumidor está envelhecendo e demandando produtos e serviços que atendam demandas reais do consumidor 50+, e não àquelas “demandas” advindas do “culto à juventude” que, na prática, não ajuda de verdade seus clientes mais velhos. Segundo, o trabalhador mais velho, representado hoje em algumas empresas como “um dos pilares da diversidade”, na verdade deveria transitar em todos os pilares. Afinal uma mulher, um PCD, um negro e um LGBTQI+ podem ter 20, 30 ou 55 anos, certo? E te digo mais, não deveriam ser um grupo minoritário não, afinal, só na região Sudeste o percentual de pessoas na faixa de 45 a 64 anos já supera os 38% da população e deve chegar a 43% antes dessa década acabar (veja mais informações em https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html) .

Por fim, queria te contar também que o Banco Mundial esteve por aqui pesquisando o mercado de trabalho no Brasil e escreveu um relatório onde afirmou que a taxa de atividade dos trabalhadores mais velhos é um fator chave para o país (Growing Old in an Older Brazil, The World Bank, 2011). Detalhe: isso já tem 11 anos e ainda são irrelevantes os percentuais de participação dessa população mais velha nos quadros de funcionários das empresas. O que eu chamo de irrelevante é na casa dos 3% para a faixa etária de 55 a 60 anos.

Se você chegou até aqui, obrigada por ler meu texto !

Vamos falar mais sobre #diversidade#longevidade do mercado de trabalho e mercado consumidor e sobre #lifelonglearnig? Escreve para mim.

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